“Nem humana nem fantasma, por que você ainda não morre?” “Boa neta, fui eu, sua avó, que te estraguei; a pessoa de quem mais tenho pena é você.” Tem pena dela, então roubou a vaga dela para acompanha
O vento de outono soprava com frieza; a noite do Festival da Lua já passara e ainda não havia amanhecido. O farfalhar das copas das árvores misturava-se à voz rouca do vigia noturno, que ecoava pela rua vazia com o aviso costumeiro para que se tivessem cuidado com o fogo e as velas.
Uma carruagem saiu do palácio imperial e seguiu em direção aos portões da cidade. No interior, Yan Jiu pensava nas instruções do príncipe herdeiro.
A imperatriz viúva usara como pretexto o casamento do príncipe herdeiro para chamá-lo de volta ao palácio de forma repentina. O príncipe herdeiro ordenara que Yan Jiu o acompanhasse, dizendo que já era hora de aparecer em público na capital.
A carruagem dobrou pela Grande Rua do Leste e tomou rumo ao Portão Oriental. De súbito, uma sombra negra saltou para a frente. O cocheiro puxou as rédeas com urgência, e os cascos dos cavalos ergueram-se no ar; em seguida, ouviu-se o grito agudo de uma mulher.
Yan Jiu acariciou a pequena esfera que trazia na mão e disse:
— Vá ver.
— Sim.
O cocheiro desceu e caminhou até a figura encolhida a poucos passos da carruagem, tremendo de medo.
Ao se aproximar, viu que era uma menina de uns doze ou treze anos, caída no chão, com o rosto todo molhado de lágrimas e uma expressão apavorada.
— Quem é você? Por que está sozinha na rua a esta hora da noite?
— Eu sou a segunda senhorita da família do conde de Huaiyin. Sem querer, bati minha avó e a deixei desacordada. Vou ao Grande Templo de Buda para me prostrar diante do Bodisatva e implorar que ele proteja minha a