A cidade de Xiesha ficava próxima da fronteira; bastava atravessar uma muralha para chegar a um campo de batalha de cem anos. Ali, o vento e a areia castigavam o lugar o ano inteiro, e a vida do povo
Dinastia Daxun, capital imperial.
Ao entardecer, o sol se dissipava, mas o calor restante ainda assava as ruas.
O céu se tingia de púrpura e dourado, nuvens auspiciosas desenhavam faixas no horizonte. Duas andorinhas cruzaram o ar, chilreando alegres, pousando no alto de uma árvore frondosa.
De repente, soou um grito alegre, carregado de riso, assustando as andorinhas, que bateram asas e voaram para longe.
“O Grande General vai se casar!”
O som dos suonas e dos tambores enchia o ar. O cortejo nupcial, grandioso, seguia da rua leste à rua oeste.
À frente, um robusto cavalo preto enfeitado com uma grande flor vermelha no peito. Impaciente, o animal sacudiu as orelhas, desferiu um coice em quem o incomodava, e seguiu, balançando o rabo com desdém.
Logo atrás do cavalo, vinha uma liteira nupcial carregada por oito homens.
Com o balanço da liteira, por uma fresta era possível vislumbrar a noiva trajando vestes vermelhas de casamento.
Alta, de corpo esguio, apenas as mãos, longas e delicadas, estavam à mostra.
Do lado de fora, moedas da felicidade eram lançadas em ondas. Crianças corriam ao lado do cortejo, rindo e gritando, aglomerando-se para pegar as moedas.
Pais, ao lado, vigiavam e protegiam seus filhos, dando pequenas broncas nos mais arteiros, mas sempre com um sorriso no rosto.
Abaixavam-se para ajudar as mãozinhas a recolher o que não conseguiam segurar.
Bastava lançar um olhar ao imponente cavalo para o riso se apagar dos rostos.
*
A noite caiu de vez, o sol já se escondera.