No sexto ano da era da Paz Estável, a princesa Longevidade foi atormentada por um espírito. O imperador Tang, Li Shimin, descrente em fantasmas e assombrações, ordenou que soldados cercassem o aposent
Ano sexto do reinado de Zhenguan.
Cidade de Chang’an, masmorra do Ministério da Justiça.
Ala destinada aos condenados à morte.
— No máximo, restam-te três dias de vida. Daqui a três dias, serás decapitado em praça pública. Estando tão próximo da morte, por que insistes em buscar o fim dentro da prisão? — A voz colérica do chefe dos carcereiros ecoava pela cela silenciosa.
— Que morras ou vivas pouco me importa, não é problema meu. Mas se morreres aqui, dentro destas paredes, todos os meus homens acabarão envolvidos por tua causa! — Prosseguia, maldizendo. — Viveste para fabricar sentenças injustas, fizeste inocentes perecer! Agora, morto, ainda queres arrastar outros contigo. Não admira que o povo te chame de cão togado.
O chefe da prisão praguejou por mais de meia hora, mas o jovem deitado no chão gélido da cela permaneceu em absoluto silêncio, sem qualquer resposta.
Tal atitude só intensificou a fúria e o desalento do carcereiro, que, num gesto brusco, ordenou: — Vigiem-no de perto, não permitam que tente o suicídio novamente. Se morrer aqui, nenhum de nós escapará ileso.
Dito isto, afastou-se, ainda resmungando.
Os guardas, corpulentos, endireitaram-se de pronto, olhos arregalados como sinos de bronze, fitando o jovem prisioneiro sem ousar desviar o olhar, temerosos de qualquer infortúnio.
Afinal, aquele jovem era o alvo do ódio de toda a população de Chang’an; muitos aguardavam, ansiosos, sua execução dali a três dias.
Se acaso morresse antes, todos ali seriam punidos severamente.
O que não notaram, po